Telúrica estreia na competição do Olhar de Cinema em Curitiba
- Jackson Lassen
- há 5 dias
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Telúrica abre a competitiva brasileira de longas
O documentário “Telúrica, a Íntima Utopia”, novo longa-metragem da realizadora pernambucana Mariana Lacerda, estreia no 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba como um dos oito selecionados para a competição brasileira de longas-metragens.

A sessão acontece nesta sexta-feira, 5 de junho, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. A produção acompanha a Companhia Teatral Ueinzz, grupo paulistano com três décadas de trajetória, formado por artistas que transformam o teatro em espaço de criação, convivência, escuta e invenção de mundos possíveis.
Em “Telúrica, a Íntima Utopia”, a companhia ensaia uma peça sobre a existência na Terra. Enquanto cria seres ancestrais, idiomas imaginários e coreografias magnéticas, o elenco reflete sobre suas trajetórias, seus desejos de futuro e a vontade de preservar a própria comunidade.
Documentário acompanha a Cia Teatral Ueinzz
Filmado em São Paulo, em 2024, o longa se aproxima dos ensaios da Cia Ueinzz na Casa do Povo, no Bom Retiro. No elenco, predominam atores e atrizes que já passaram por experiências psíquicas extremas e que, no processo criativo, elaboram modos próprios de ser, existir e resistir.
O filme não se limita a registrar uma peça teatral. Pelo contrário, a obra se constrói no encontro entre cinema, teatro e convivência. A câmera acompanha pausas, silêncios, deslocamentos, falas e gestos que revelam uma comunidade em criação permanente.
Segundo Mariana Lacerda, o desejo inicial era fazer um filme com o grupo, e não sobre o grupo. A aproximação começou a partir do contato da diretora com o filósofo Peter Pál Pelbart, um dos integrantes do Ueinzz, e se intensificou quando a companhia já desenvolvia o espetáculo “Telúrica”.
Aos poucos, a equipe de cinema passou a compartilhar os encontros, criando um ambiente de intimidade e confiança. Dessa relação nasceu um documentário que observa a criação artística como um território afetivo, político e coletivo.

Telúrica, teatro e utopia íntima
O título do filme também dialoga com o livro “A Íntima Utopia – Trabalho Analítico e Processos Psicóticos”, dos autores Jean-Claude Polack e Danielle Sivadon, publicado originalmente na França em 1991 e lançado no Brasil pela n-1 edições.
Na obra cinematográfica, essa ideia de utopia aparece longe de grandes promessas abstratas. Ela surge como prática cotidiana, construída no corpo, na escuta, na presença e nas relações entre pessoas que se reconhecem como parte de uma rede viva.
A palavra Telúrica também amplia os sentidos do filme. O termo se liga à Terra, às forças subterrâneas, aos fluxos naturais e simbólicos que atravessam corpos, solos e paisagens. Por isso, a narrativa conecta a criação teatral a questões como o Antropoceno, a extinção das espécies, o fim do mundo e a necessidade de reinventar formas de convivência.
Nesse processo, a filósofa Juliana Fausto participa do filme como convidada especial, contribuindo para a reflexão sobre a dimensão telúrica da Terra e suas forças visíveis e invisíveis.
Mariana Lacerda retorna ao longa documental
“Telúrica, a Íntima Utopia” é o segundo longa-metragem de Mariana Lacerda. Antes dele, a realizadora dirigiu “Gyuri”, documentário lançado em 2020, no qual investigou a relação entre a fotógrafa Claudia Andujar e o xamã Davi Kopenawa, uma das principais lideranças do povo Yanomami.
A diretora também assina obras como “Eu Sou uma Arara”, “Mapear Mundos” e a série infantil “Histórias de Fantasmas Verdadeiros para Crianças”. Em sua pesquisa, Mariana articula cinema, artes visuais, mudanças climáticas, Amazônia, Antropoceno e perspectivas mais que humanas, envolvendo animais, plantas e biomas.
No novo filme, essa investigação ganha outro território. Agora, o foco está no encontro com um coletivo teatral que pensa a vida, o tempo, a memória, a loucura, a imaginação e a permanência.
Longa tem acessibilidade em Libras e audiodescrição
A produção tem 104 minutos de duração e conta com recursos de acessibilidade: Libras, legenda descritiva e audiodescrição. A realização é da Bebinho Salgado, com produção associada e distribuição da Descoloniza Filmes, parceira de Mariana Lacerda desde “Gyuri”.
O roteiro é assinado por Mariana Lacerda e Paula Mercedes, que também responde pela montagem. A direção de fotografia é de Marcelo Lacerda, enquanto o desenho de som e a trilha sonora original são de O Grivo.
A direção de arte e figurino ficam a cargo de Marcelo X e Clarisse Valadares. A produção é de Carol Ferreira, com produção associada de Ibirá Machado.
Telúrica no Olhar de Cinema
Ao integrar a competição brasileira do Olhar de Cinema, Telúrica reforça a presença de obras que experimentam novas formas de linguagem dentro do cinema nacional contemporâneo.
O filme propõe uma experiência sensível sobre criação coletiva, saúde mental, arte, comunidade e futuro. Além disso, amplia o diálogo entre cinema e teatro ao observar como um grupo inventa formas de continuar existindo diante de um mundo em crise.
Mais do que acompanhar um processo de ensaio, o documentário convida o público a entrar em uma comunidade provisória, feita de vozes, corpos, memórias e fabulações. Nesse espaço, a utopia deixa de ser promessa distante e passa a existir como gesto íntimo, cotidiano e compartilhado.
Serviço — Telúrica, a Íntima Utopia
Filme: “Telúrica, a Íntima Utopia”
Título em inglês: “Telluric, the Intimate Utopia”
Direção: Mariana Lacerda
País: BrasilAno: 2026
Gênero: Documentário
Duração: 104 minutos
Formato: DCP 2K | 16:9 | Som 5.1
Acessibilidade: Libras, legenda descritiva e audiodescrição
Estreia: 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
Mostra: Competitiva Brasileira de longas-metragens
Data: 5 de junho
Local: Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba
Realização: Bebinho Salgado
Distribuição e produção associada: Descoloniza Filmes
Produção: Carol Ferreira
Produção associada: Ibirá Machado
Roteiro: Mariana Lacerda e Paula Mercedes
Direção de fotografia: Marcelo Lacerda
Montagem: Paula Mercedes
Desenho de som e trililha sonora original: O Grivo
Direção de arte e figurino: Marcelo X e Clarisse Valadares






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