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Segunda Pele terá estreia no Olhar de Cinema de Curitiba

Segunda Pele integra a mostra Novos Olhares

O longa-metragem pernambucano “Segunda Pele”, dirigido por Dea Ferraz, terá sua estreia oficial no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. A obra integra a mostra competitiva Novos Olhares, dedicada a filmes de linguagem inventiva, experimental e autoral.

Cena do filme “Segunda Pele”, com performer usando vestido vermelho e rosto coberto por adereço dourado, sentada sob foco de luz.
O longa pernambucano “Segunda Pele” integra a mostra Novos Olhares do 15º Olhar de Cinema, em Curitiba. Crédito: Dea Ferraz e Rafael Amorim.

A exibição acontece no dia 9 de junho, terça-feira, na Cinemateca de Curitiba. Além disso, a sessão será seguida de debate com a realizadora, ampliando o diálogo entre o público e o processo criativo do filme.

Com produção executiva de Carol Vergolino e Hudson Wlamir, o longa chega ao festival em um momento de destaque para a produção pernambucana. O Olhar de Cinema completa 15 anos consolidado como um dos principais espaços de circulação do cinema autoral brasileiro.


Segunda Pele parte da pergunta “que corpo habitamos?”

A pergunta que mobiliza o filme é direta e profunda: que corpo habitamos? A partir dela, “Segunda Pele” propõe uma travessia sensorial e poética pelo corpo marcado, vigiado, normatizado e, ao mesmo tempo, desejante de liberdade.

Produzido pela Alumia Filmes, pelo Coletivo Lugar Comum e pela Parea Filmes, com apoio de editais do Funcultura, o longa se apresenta como uma fabulação entre presente e futuro. Portanto, sua construção vai além da narrativa tradicional e se aproxima de um manifesto feminista pela libertação dos corpos.

A obra também investiga modos de existência em transformação. Assim, o filme acompanha corpos em mutação, simbiose e reinvenção, criando uma experiência visual que convida o espectador a sentir antes de tentar explicar.

Cena do longa “Segunda Pele”, com performer sentada no chão em ambiente escuro, envolvida por fios suspensos e iluminação dramática.
“Segunda Pele”, de Dea Ferraz, propõe uma travessia sensorial pelo corpo, pela presença e pela reinvenção dos modos de existir. Crédito: Dea Ferraz e Rafael Amorim.

Processo nasceu de construção coletiva

De acordo com Dea Ferraz, a origem de “Segunda Pele” está em um processo de criação coletiva com o Coletivo Lugar Comum. O convite inicial era transformar o espetáculo homônimo em filme. No entanto, a diretora propôs partir do mote para construir algo novo.

“Segunda Pele é um presente que recebi do Coletivo Lugar Comum, esse grupo de artistas maravilhosas, que tanto me inspiram, e que um dia me convidaram para fazer o filme do espetáculo homônimo. Lembro que já na primeira reunião perguntei se tínhamos que transpor o espetáculo para o cinema ou se podíamos partir do mote para algo novo. Claro que a resposta foi unânime: podemos fazer o que quisermos. Depois de dois anos de imersões e encontros, nasce o filme”, explica a realizadora.

O elenco reúne as artistas Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William. Em cena, elas compartilham corpos, medos, desejos e experiências pessoais, criando um pensamento em rede.


Cinema, presença e corpo em movimento

Em “Segunda Pele”, a câmera de Dea Ferraz não observa os corpos à distância. Ela se aproxima, acompanha e dança junto, construindo uma relação íntima entre imagem, presença e movimento.

“É de forma poética e livre, que o filme se apresenta como um mergulho nos corpos que carregamos. Segunda Pele é feito com e por mulheres, demarcando um cinema que quebra paradigmas hegemônicos e acredita na força da imagem como construção de imaginário simbólico. Um convite ao sentir, mais do que ao pensar, Segunda Pele é um filme que borra os limites do cinema narrativo tradicional, acionando outras formas expandidas de relação com a imagem”, destaca Dea.

Com mais de duas décadas dedicadas ao audiovisual, a diretora também atua como pesquisadora e artista visual. Em sua trajetória, acumula investigações sobre imagem, sensibilidade e presença, temas que ganham força ainda maior neste novo trabalho.


A potência poética da imagem

Ao refletir sobre o excesso de imagens no mundo contemporâneo, Dea Ferraz propõe um cinema que opera na contramão da lógica de consumo visual. Para ela, a imagem pode ser uma forma de reconexão com o corpo e com a sensibilidade.

“Vivemos cercados por uma infinidade de imagens. Mas que imagens são essas que nos invadem? É a imagem do espetáculo, da publicidade, do comércio. É a imagem que vira produto. Então, o que tento em meus trabalhos é reencontrar a imagem em sua potência poética. O que as imagens são capazes de produzir em nós que não seja o adoecimento dos nossos corpos?”, questiona a diretora.

Segundo a realizadora, a proposta é investigar imagens capazes de devolver presença ao espectador. Dessa forma, “Segunda Pele” busca provocar uma experiência de implicação, em que quem assiste também completa as imagens que vê.


Ficha técnica — Segunda Pele

Criação coletiva: Dea Ferraz, Liana Gesteira, Maria Clara Camarotti, Maria Agrelli, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William

Artistas performers: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William

Direção: Dea Ferraz

Direção de produção: Lu Teixeira

Produção executiva: Carol Vergolino e Hudson Wlamir

Assistência de produção executiva: Duda Menezes e Patrícia Gonçalves

Direção de fotografia: Dea Ferraz e Rafael Amorim

Direção de arte: Maria Agrelli e Luciana Raposo

Câmera: Dea Ferraz

Câmera adicional: Rafael Amorim

Som direto: Lara Bione

Assistência de produção: Bruna Sales

Luz: Luciana Raposo

Assistência de luz: Pipia

Assistência geral: Erivaldo Rocha

Montagem: Joana Collier

Roteiro: Dea Ferraz e Joana Colier

Coordenação de edição: Suchi Barbosa

Desenho de som e mixagem: Kiko Santana

Cor: Rafael Amorim

Acessibilidade: All Dub

Arte gráfica: Clara Moreira

Gerente de festivais: Henrique Amud


Serviço — Segunda Pele no Olhar de Cinema

Filme: Segunda Pele

Direção: Dea Ferraz

Mostra: Novos Olhares

Festival: Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

Data: 9 de junho, terça-feira

Local: Cinemateca de Curitiba

Formato: sessão seguida de debate com a realizadora

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