Mostra Olhares Clássicos revive relíquias do cinema no Olhar de Cinema
- Jackson Lassen
- 9 de jun.
- 5 min de leitura
Mostra Olhares Clássicos reúne David Lynch, raridade paranaense e filmes restaurados
A programação da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba segue até o dia 13 de junho, reunindo mais de 80 produções de diferentes países. Entre os destaques está a Mostra Olhares Clássicos, realizada em parceria com o Cine Passeio, que propõe uma verdadeira viagem pela história do cinema.
A seleção reúne 10 filmes marcantes, de diferentes épocas e cinematografias, organizados em três grandes eixos: a quebra das regras sociais, as marcas da história e os bastidores do próprio cinema. Com títulos restaurados, raridades e obras de difícil acesso no circuito comercial, a mostra oferece ao público a chance de ver ou rever grandes relíquias na tela grande.
Entre os destaques estão “Veludo Azul”, de David Lynch, clássico que mergulha no lado sombrio dos subúrbios americanos; “Corações Desertos”, de Donna Deitch, marco do cinema lésbico; e “Hollywood Studios”, raridade paranaense de Arthur Rogge, filmada durante sua passagem pelos Estados Unidos no fim dos anos 1920.
Mostra Olhares Clássicos explora desejos, tensões e rupturas sociais
O primeiro eixo da Mostra Olhares Clássicos foca em narrativas marcadas por tensões latentes, desejo e colapso das aparências. Nesse recorte, o festival apresenta obras que desafiam normas sociais e expõem conflitos escondidos sob superfícies aparentemente estáveis.
É o caso de “Veludo Azul”, de David Lynch, exibido 40 anos após seu lançamento. O filme acompanha Jeffrey, vivido por Kyle MacLachlan, após encontrar uma orelha humana em um campo e ser levado a um submundo de violência, sensualidade e mistério em sua cidade natal.
Também integra esse eixo “Corações Desertos”, clássico dirigido por Donna Deitch. Exibido em cópia restaurada, o longa acompanha uma professora nova-iorquina que vai ao deserto de Nevada em busca do divórcio e acaba atravessada por uma paixão inesperada.
A programação inclui ainda “High School”, de Frederick Wiseman, documentário que observa o cotidiano de uma escola pública na Filadélfia dos anos 1960, e “Vento Norte”, de Salomão Scliar, considerado o primeiro longa-metragem ficcional de som sincronizado produzido no Sul do Brasil.
Cinema político e traumas históricos ganham espaço na mostra
O segundo eixo da seleção se volta às marcas da história, aos conflitos geopolíticos e aos impactos da violência política sobre indivíduos e coletividades. Nesse recorte, o cinema aparece como instrumento de memória, crítica e resistência.
Em “Beirute Fantasma”, de Ghassan Salhab, o espectador é levado ao Líbano do fim dos anos 1980, próximo ao encerramento da Guerra Civil Libanesa. O filme acompanha Khalil, que retorna a Beirute sob uma nova identidade após forjar a própria morte.
A resistência palestina aparece em “Aqui e em Qualquer Lugar”, de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, e em “Eles Não Existem”, de Mustafa Abu Ali. As obras dialogam com arquivos, montagem política e imagens de luta, propondo reflexões sobre colonialismo, violência e disputa narrativa.
Outro destaque é “As Harmonias de Werckmeister”, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky. A obra parte da chegada de um estranho circo a um vilarejo húngaro para construir uma poderosa metáfora sobre medo, paranoia coletiva, populismo e violência social.
Hollywood Studios resgata uma raridade do cinema paranaense
O terceiro eixo da Mostra Olhares Clássicos celebra artistas que ajudaram a expandir a linguagem cinematográfica e usaram o próprio cinema para pensar a arte, a indústria e seus modos de criação.
Um dos títulos centrais é “As Aventuras do Príncipe Achmed”, de Lotte Reiniger. Lançado em 1926, o filme é considerado um marco da animação em longa-metragem e impressiona pelo uso de silhuetas animadas em stop motion, além de reforçar o pioneirismo feminino na direção cinematográfica.
A mostra também valoriza a memória do cinema feito no Paraná com “Hollywood Studios”, de Arthur Rogge. Filmado durante a estadia do cineasta nos Estados Unidos, entre 1927 e 1928, o documentário percorre Hollywood, Los Angeles, interessado em revelar ao público brasileiro os grandes estúdios, os astros, a cultura e as curiosidades locais.
Quase centenária, a produção demonstra o interesse de Rogge pelo desenvolvimento de uma indústria cinematográfica local e encerra a mostra com um resgate histórico raro e fundamental para a memória audiovisual paranaense.
Filmes da Mostra Olhares Clássicos
Beirute Fantasma

Título original: “Ashbah Beyrouth”
Direção: Ghassan Salhab
País: Líbano/França
Ano: 1998
Duração: 120 minutos
Sessões:
5 de junho, às 16h20 — Cine Passeio, Sala Ritz
7 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Ritz
Veludo Azul

Título original: “Blue Velvet”
Direção: David Lynch
País: Estados Unidos
Ano: 1986
Duração: 120 minutos
Sessões:
6 de junho, às 10h30 — Cine Passeio, Sala Ritz
13 de junho, às 19h30 — Cine Passeio, Sala Ritz
Corações Desertos

Título original: “Desert Hearts”
Direção: Donna Deitch
País: Estados Unidos
Ano: 1986
Duração: 120 minutos
Sessões:
6 de junho, às 19h45 — Cine Passeio, Sala Luz
8 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Ritz
As Aventuras do Príncipe Achmed

Título original: “Die Abenteuer des Prinzen Achmed”
Direção: Lotte Reiniger
País: Alemanha
Ano: 1926
Duração: 67 minutos
Sessões:
7 de junho, às 20h45 — Cine Passeio, Sala Luz
11 de junho, às 17h15 — Cine Passeio, Sala Ritz
High School

Direção: Frederick Wiseman
País: Estados Unidos
Ano: 1975
Duração: 68 minutos
Sessões:
5 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Luz
9 de junho, às 20h30 — Cine Passeio, Sala Luz
Hollywood Studios

Direção: Arthur Rogge
País: BrasilAno: 1930
Duração: 46 minutos
Sessões:
5 de junho, às 20h15 — Cinemateca de Curitiba
8 de junho, às 20h15 — Cinemateca de Curitiba
Aqui e em Qualquer Lugar

Título original: “Ici et ailleurs”
Direção: Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville
País: FrançaAno: 1976
Duração: 53 minutos
Sessões:
9 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Luz
13 de junho, às 13h10 — Cine Passeio, Sala Ritz
Eles Não Existem

Título original: “Lays lahum wujud”
Direção: Mustafa Abu Ali
País: Palestina
Ano: 1974
Duração: 25 minutos
Sessões:
9 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Luz
13 de junho, às 13h10 — Cine Passeio, Sala Ritz
Vento Norte

Direção: Salomão Scliar
País: Brasil
Ano: 1951
Duração: 73 minutos
Sessões:
8 de junho, às 20h30 — Cine Passeio, Sala Luz
10 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Ritz
As Harmonias de Werckmeister

Título original: “Werckmeister Harmóniák”
Direção: Béla Tarr e Ágnes Hranitzky
País: Hungria
Ano: 2000
Duração: 145 minutos
Sessões:
8 de junho, às 17h15 — Cine Passeio, Sala Luz
10 de junho, às 19h — Cine Passeio, Sala Ritz
Serviço — Mostra Olhares Clássicos
Evento: 15º Olhar de Cinema — Festival Internacional de Curitiba
Mostra: Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio
Data do festival: 4 a 13 de junho
Locais: Cine Passeio e Cinemateca de Curitiba
Site oficial: www.olhardecinema.com.br
Instagram: @olhardecinema
TikTok: @olhardecinema
X/Twitter: @Olhardecinema_
Facebook: Facebook.com/Olhardecinema
Produção: Grafo Audiovisual
Patrocínio master: Terminal de Contêineres de Paranaguá
Patrocínio: Itaú, Peróxidos do Brasil, Mili, Fomento Paraná e Sanepar
Apoio: Teatro da Vila, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, Projeto Paradiso e Uninter
Apoio cultural: MON
Parceria: Caiçara Brazil Destilaria
Realização: Ministério da Cultura — Governo Federal — Do lado do povo brasileiro






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