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Mostra Olhares Clássicos revive relíquias do cinema no Olhar de Cinema

Mostra Olhares Clássicos reúne David Lynch, raridade paranaense e filmes restaurados

A programação da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba segue até o dia 13 de junho, reunindo mais de 80 produções de diferentes países. Entre os destaques está a Mostra Olhares Clássicos, realizada em parceria com o Cine Passeio, que propõe uma verdadeira viagem pela história do cinema.

A seleção reúne 10 filmes marcantes, de diferentes épocas e cinematografias, organizados em três grandes eixos: a quebra das regras sociais, as marcas da história e os bastidores do próprio cinema. Com títulos restaurados, raridades e obras de difícil acesso no circuito comercial, a mostra oferece ao público a chance de ver ou rever grandes relíquias na tela grande.

Entre os destaques estão “Veludo Azul”, de David Lynch, clássico que mergulha no lado sombrio dos subúrbios americanos; “Corações Desertos”, de Donna Deitch, marco do cinema lésbico; e “Hollywood Studios”, raridade paranaense de Arthur Rogge, filmada durante sua passagem pelos Estados Unidos no fim dos anos 1920.


Mostra Olhares Clássicos explora desejos, tensões e rupturas sociais

O primeiro eixo da Mostra Olhares Clássicos foca em narrativas marcadas por tensões latentes, desejo e colapso das aparências. Nesse recorte, o festival apresenta obras que desafiam normas sociais e expõem conflitos escondidos sob superfícies aparentemente estáveis.

É o caso de “Veludo Azul”, de David Lynch, exibido 40 anos após seu lançamento. O filme acompanha Jeffrey, vivido por Kyle MacLachlan, após encontrar uma orelha humana em um campo e ser levado a um submundo de violência, sensualidade e mistério em sua cidade natal.

Também integra esse eixo “Corações Desertos”, clássico dirigido por Donna Deitch. Exibido em cópia restaurada, o longa acompanha uma professora nova-iorquina que vai ao deserto de Nevada em busca do divórcio e acaba atravessada por uma paixão inesperada.

A programação inclui ainda “High School”, de Frederick Wiseman, documentário que observa o cotidiano de uma escola pública na Filadélfia dos anos 1960, e “Vento Norte”, de Salomão Scliar, considerado o primeiro longa-metragem ficcional de som sincronizado produzido no Sul do Brasil.


Cinema político e traumas históricos ganham espaço na mostra

O segundo eixo da seleção se volta às marcas da história, aos conflitos geopolíticos e aos impactos da violência política sobre indivíduos e coletividades. Nesse recorte, o cinema aparece como instrumento de memória, crítica e resistência.

Em “Beirute Fantasma”, de Ghassan Salhab, o espectador é levado ao Líbano do fim dos anos 1980, próximo ao encerramento da Guerra Civil Libanesa. O filme acompanha Khalil, que retorna a Beirute sob uma nova identidade após forjar a própria morte.

A resistência palestina aparece em “Aqui e em Qualquer Lugar”, de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, e em “Eles Não Existem”, de Mustafa Abu Ali. As obras dialogam com arquivos, montagem política e imagens de luta, propondo reflexões sobre colonialismo, violência e disputa narrativa.

Outro destaque é “As Harmonias de Werckmeister”, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky. A obra parte da chegada de um estranho circo a um vilarejo húngaro para construir uma poderosa metáfora sobre medo, paranoia coletiva, populismo e violência social.


Hollywood Studios resgata uma raridade do cinema paranaense

O terceiro eixo da Mostra Olhares Clássicos celebra artistas que ajudaram a expandir a linguagem cinematográfica e usaram o próprio cinema para pensar a arte, a indústria e seus modos de criação.

Um dos títulos centrais é “As Aventuras do Príncipe Achmed”, de Lotte Reiniger. Lançado em 1926, o filme é considerado um marco da animação em longa-metragem e impressiona pelo uso de silhuetas animadas em stop motion, além de reforçar o pioneirismo feminino na direção cinematográfica.

A mostra também valoriza a memória do cinema feito no Paraná com “Hollywood Studios”, de Arthur Rogge. Filmado durante a estadia do cineasta nos Estados Unidos, entre 1927 e 1928, o documentário percorre Hollywood, Los Angeles, interessado em revelar ao público brasileiro os grandes estúdios, os astros, a cultura e as curiosidades locais.

Quase centenária, a produção demonstra o interesse de Rogge pelo desenvolvimento de uma indústria cinematográfica local e encerra a mostra com um resgate histórico raro e fundamental para a memória audiovisual paranaense.


Filmes da Mostra Olhares Clássicos


Beirute Fantasma

Homem e mulher aparecem de costas diante do mar em cena do filme “Beirute Fantasma”.
“Beirute Fantasma”, de Ghassan Salhab, integra a seleção de obras restauradas e raras da Mostra Olhares Clássicos. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Ashbah Beyrouth”

Direção: Ghassan Salhab

País: Líbano/França

Ano: 1998

Duração: 120 minutos

Sessões:

5 de junho, às 16h20 — Cine Passeio, Sala Ritz

7 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Ritz


Veludo Azul

Mulher canta diante de um microfone, iluminada por tons azuis e vermelhos, em cena de “Veludo Azul”.
“Veludo Azul”, de David Lynch, é um dos destaques da Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Blue Velvet”

Direção: David Lynch

País: Estados Unidos

Ano: 1986

Duração: 120 minutos

Sessões:

6 de junho, às 10h30 — Cine Passeio, Sala Ritz

13 de junho, às 19h30 — Cine Passeio, Sala Ritz


Corações Desertos

Duas mulheres se aproximam para um beijo dentro de um carro em cena de “Corações Desertos”.
“Corações Desertos”, clássico do cinema lésbico dirigido por Donna Deitch, será exibido em cópia restaurada. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Desert Hearts”

Direção: Donna Deitch

País: Estados Unidos

Ano: 1986

Duração: 120 minutos

Sessões:

6 de junho, às 19h45 — Cine Passeio, Sala Luz

8 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Ritz


As Aventuras do Príncipe Achmed

Silhuetas animadas em tons de amarelo e preto aparecem em cena de “As Aventuras do Príncipe Achmed”.
“As Aventuras do Príncipe Achmed”, de Lotte Reiniger, marco da animação mundial, integra a Mostra Olhares Clássicos. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Die Abenteuer des Prinzen Achmed”

Direção: Lotte Reiniger

País: Alemanha

Ano: 1926

Duração: 67 minutos

Sessões:

7 de junho, às 20h45 — Cine Passeio, Sala Luz

11 de junho, às 17h15 — Cine Passeio, Sala Ritz


High School

Professor aparece diante de estudantes em sala de aula, em cena em preto e branco do documentário “High School”.
“High School”, de Frederick Wiseman, é um dos clássicos exibidos no 15º Olhar de Cinema. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Direção: Frederick Wiseman

País: Estados Unidos

Ano: 1975

Duração: 68 minutos

Sessões:

5 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Luz

9 de junho, às 20h30 — Cine Passeio, Sala Luz


Hollywood Studios

Cartela antiga com o título “Hollywood Studios” aparece sobre imagem noturna de cidade, em registro restaurado do cinema paranaense.
“Hollywood Studios”, raridade paranaense de Arthur Rogge, ganha exibição na Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Direção: Arthur Rogge

País: BrasilAno: 1930

Duração: 46 minutos

Sessões:

5 de junho, às 20h15 — Cinemateca de Curitiba

8 de junho, às 20h15 — Cinemateca de Curitiba


Aqui e em Qualquer Lugar

Três pessoas com lenços cobrindo o rosto leem materiais impressos em cena do filme “Aqui e em Qualquer Lugar”.
“Aqui e em Qualquer Lugar”, de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, integra a programação clássica do Olhar de Cinema. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Ici et ailleurs”

Direção: Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville

País: FrançaAno: 1976

Duração: 53 minutos

Sessões:

9 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Luz

13 de junho, às 13h10 — Cine Passeio, Sala Ritz


Eles Não Existem

Homem usando lenço palestino aparece em cena em preto e branco do filme “Eles Não Existem”.
“Eles Não Existem”, de Mustafa Abu Ali, compõe a seleção da Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Lays lahum wujud”

Direção: Mustafa Abu Ali

País: Palestina

Ano: 1974

Duração: 25 minutos

Sessões:

9 de junho, às 16h — Cine Passeio, Sala Luz

13 de junho, às 13h10 — Cine Passeio, Sala Ritz


Vento Norte

Cena em preto e branco mostra pessoas reunidas na beira da praia em “Vento Norte”, clássico do cinema brasileiro.
“Vento Norte”, de Salomão Scliar, é exibido na Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Direção: Salomão Scliar

País: Brasil

Ano: 1951

Duração: 73 minutos

Sessões:

8 de junho, às 20h30 — Cine Passeio, Sala Luz

10 de junho, às 17h30 — Cine Passeio, Sala Ritz


As Harmonias de Werckmeister

Homem em preto e branco aparece em primeiro plano, olhando para cima, em cena de “As Harmonias de Werckmeister”.
“As Harmonias de Werckmeister”, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, integra a Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio no 15º Olhar de Cinema. Crédito: Divulgação/Olhar de Cinema.

Título original: “Werckmeister Harmóniák”

Direção: Béla Tarr e Ágnes Hranitzky

País: Hungria

Ano: 2000

Duração: 145 minutos

Sessões:

8 de junho, às 17h15 — Cine Passeio, Sala Luz

10 de junho, às 19h — Cine Passeio, Sala Ritz


Serviço — Mostra Olhares Clássicos

Evento: 15º Olhar de Cinema — Festival Internacional de Curitiba

Mostra: Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio

Data do festival: 4 a 13 de junho

Locais: Cine Passeio e Cinemateca de Curitiba

Instagram: @olhardecinema

TikTok: @olhardecinema

X/Twitter: @Olhardecinema_


Produção: Grafo Audiovisual

Patrocínio master: Terminal de Contêineres de Paranaguá

Patrocínio: Itaú, Peróxidos do Brasil, Mili, Fomento Paraná e Sanepar

Apoio: Teatro da Vila, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, Projeto Paradiso e Uninter

Apoio cultural: MON

Parceria: Caiçara Brazil Destilaria

Realização: Ministério da Cultura — Governo Federal — Do lado do povo brasileiro

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