Crítica | Minions & Monstros amplia o universo, mas ainda parece mais do mesmo
- Jackson Lassen
- 2 de jul.
- 4 min de leitura
Novo filme da Illumination acerta ao brincar com a história do cinema e dar novos caminhos aos personagens, mas nem sempre consegue transformar boa ideia em uma experiência realmente renovada
Minions & Monstros tem uma ideia melhor do que o próprio filme consegue sustentar até o fim. A nova animação da Illumination leva os personagens amarelos para uma Hollywood inspirada nos anos 1920, em meio ao cinema mudo, aos bastidores dos grandes estúdios e à transição para os filmes falados. No papel, é uma proposta divertida, inteligente e até bastante coerente com a essência dos Minions, afinal, poucas figuras da animação contemporânea dependem tanto do humor visual quanto eles.

E talvez esteja aí o maior mérito do filme: perceber que os Minions combinam muito mais com a lógica do pastelão clássico do que com tramas excessivamente explicativas. Quando o longa brinca com cinema mudo, gags físicas, bastidores de gravação, estrelas improváveis e referências à história da sétima arte, ele encontra um caminho interessante para ampliar esse universo. Existe charme nessa tentativa de transformar o caos amarelo em homenagem ao cinema.
O problema é que Minions & Monstros nem sempre confia na própria proposta.
A animação começa sugerindo algo mais criativo dentro da franquia. Os Minions deixam de ser apenas ajudantes atrapalhados em busca de um grande vilão e passam a ocupar uma espécie de lugar dentro da história do cinema. Eles viram astros acidentais, atravessam os bastidores de Hollywood e, em determinado momento, tentam fazer o próprio filme de monstros. É uma sacada boa, principalmente porque dá ao longa uma identidade visual e temática diferente dos capítulos anteriores.
Só que, conforme a história avança, a sensação de novidade começa a disputar espaço com a velha fórmula que o público já conhece: correria, gritaria, pancadas, explosões, piadas visuais em sequência e aquele humor nonsense que fez os Minions virarem um fenômeno mundial, mas que também já começa a mostrar sinais de desgaste.
Não se trata de dizer que o filme é ruim. Não é. Visualmente, Minions & Monstros é caprichado, colorido, cheio de movimento e com boas soluções de animação. A ambientação em Hollywood funciona, as referências ao cinema clássico são simpáticas e há momentos em que a metalinguagem realmente diverte. Para crianças, especialmente durante as férias escolares, o filme deve cumprir muito bem sua função: entreter, acelerar o ritmo da sala e arrancar risadas com o caos habitual.
Mas, para quem esperava uma reinvenção mais profunda da franquia, o resultado pode frustrar.
A entrada dos monstros, por exemplo, prometia abrir uma nova camada para a narrativa. O título vende essa mistura entre os Minions e criaturas fantásticas, mas essa parte do filme não cresce tanto quanto poderia. Os monstros aparecem como elemento de aventura e confusão, mas não chegam a transformar a experiência. Eles servem mais como combustível para o terceiro ato do que como uma expansão realmente memorável do universo.
O mais curioso é que Minions & Monstros parece ter consciência de que precisava fazer algo diferente. A ideia de aproximar os personagens do cinema mudo é muito boa porque conversa diretamente com a linguagem deles. Os Minions não precisam ser compreendidos palavra por palavra. Eles funcionam pelo gesto, pela expressão, pelo tempo da piada, pela bagunça visual. Nesse sentido, o filme encontra um diálogo natural com Chaplin, Buster Keaton e toda uma tradição de humor físico que moldou a comédia no cinema.
Só que essa inteligência inicial não impede o longa de retornar ao conforto do barulho.
A impressão que fica é que a Illumination encontrou uma porta interessante, abriu, mostrou um cenário novo e, logo depois, preferiu correr de volta para o lugar seguro. A franquia se expande, mas não se arrisca tanto. O universo cresce, mas a estrutura permanece bastante familiar. A graça está ali, mas nem sempre surpreende. O filme diverte mais pela ideia do que propriamente pelas gargalhadas.
Ainda assim, seria injusto ignorar seus acertos. Minions & Monstros tem energia, ritmo, bom acabamento técnico e uma proposta mais simpática do que muitos poderiam esperar de uma franquia tão explorada comercialmente. Há carinho pela história do cinema, há boas piadas visuais e há uma tentativa clara de dar aos personagens um contexto diferente, sem depender da presença de Gru para sustentar a narrativa.
O que falta é coragem para ir além da embalagem.
No fim, Minions & Monstros funciona como entretenimento familiar e deve agradar bastante ao público infantil e aos fãs mais fiéis dos personagens. Para os adultos, especialmente os que gostam de cinema, há um prazer extra em reconhecer as referências e perceber o quanto a animação tenta dialogar com a própria história da indústria. Mas, como crítica, é preciso dizer: a homenagem é mais interessante que a aventura, e a expansão do universo é mais promissora que o resultado final.
Minions & Monstros amplia o mundo dos personagens amarelos, mas não necessariamente amplia o impacto da franquia. É simpático, bem produzido e visualmente inventivo em alguns momentos, mas ainda preso ao mesmo repertório de piadas que tornou os Minions populares e, para parte do público, cansativos.
Avaliação Estação Cult: ★★★☆☆Nota: 3/5
Serviço
Filme: Minions & Monstros
Título original: Minions & Monsters
Direção: Pierre Coffin
Roteiro: Brian Lynch e Pierre Coffin
Produção: Christopher Meledandri e Bill Ryan
Estúdio: Illumination Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Gênero: Animação, comédia, aventura
Onde assistir: Em cartaz nos cinemas






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